Ouço o barulho dos pingos na calçada, do jardim o regozijo de toda a vida não-humana. Está frio e os tempos são de ter saudades de tudo, até de mim.
O embate dos céus nas coisas mundanas da vida ecoa-me por toda a alma, e sente-se a força dos sentidos, vento mordaz como a vontade.
E eu deixo-me ficar a ouvir, encosto-me no confortável, mastigando de leve a condição de estar meia-viva, de ser fraca, impotente.
Tento escrever para me arrumar, para me reabastecer das frágeis fundações por onde flutuo, as mesmas que quando chove ao deus-dará se dissolvem pelo cansaço a dentro.
Vou roendo a alma em busca de alimento. Mas diria a esse resto: não venhas, não te canses.
Deixa-te como eu e não te consumas em busca do que não vais encontrar. Porque por aqui só há corpo, em mim só há o que é orgânico, tudo o mais se esbateu nem sei bem quando.
Cá dentro só sobram pontos finais e reticências, talvez algumas interrogações banais e sem folêgo.
Tudo o mais foi-se corroendo. Os sonhos foram perdendo a alma no pára-arranca do querer tanto acreditar.
Já não me sinto sequer capaz de doer. De ter medo, pânico, qualquer coisa que se rebata contra este envelope de pessoa.
A minha luz está agora encerrada num abajur opaco que não a deixa fugir, mas também não a deixa brilhar.
Porque me deixei cativar pelos meus erros, porque não queria pertencer à regra, deixei-me ser a má excepção à vida enquadrada, correcta e aparentemente feliz, até muito feliz.
E agora?
O embate dos céus nas coisas mundanas da vida ecoa-me por toda a alma, e sente-se a força dos sentidos, vento mordaz como a vontade.
E eu deixo-me ficar a ouvir, encosto-me no confortável, mastigando de leve a condição de estar meia-viva, de ser fraca, impotente.
Tento escrever para me arrumar, para me reabastecer das frágeis fundações por onde flutuo, as mesmas que quando chove ao deus-dará se dissolvem pelo cansaço a dentro.
Vou roendo a alma em busca de alimento. Mas diria a esse resto: não venhas, não te canses.
Deixa-te como eu e não te consumas em busca do que não vais encontrar. Porque por aqui só há corpo, em mim só há o que é orgânico, tudo o mais se esbateu nem sei bem quando.
Cá dentro só sobram pontos finais e reticências, talvez algumas interrogações banais e sem folêgo.
Tudo o mais foi-se corroendo. Os sonhos foram perdendo a alma no pára-arranca do querer tanto acreditar.
Já não me sinto sequer capaz de doer. De ter medo, pânico, qualquer coisa que se rebata contra este envelope de pessoa.
A minha luz está agora encerrada num abajur opaco que não a deixa fugir, mas também não a deixa brilhar.
Porque me deixei cativar pelos meus erros, porque não queria pertencer à regra, deixei-me ser a má excepção à vida enquadrada, correcta e aparentemente feliz, até muito feliz.
E agora?
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